Acqua
                                                   eduardo jorge

 

 

Como se acenasse, o peixe maior. Se sai do coral, o pequeno habitat. Ou como se esquecesse a água em tempo en passant. Dali, descrever pequenas vilas, repensar o local, a partir do movimento de volumes. Após neverland, a cabeça já nem. E os fragmentos de rio, partes do oceano envidraçado. A vista. O mergulho a seco na sala. A sala citada porque no momento ela não existe ou está assim a sujeição de neverland. 


O mergulho, esse sim, existiu e em ritmo de pausa, como se no peito não pulsasse antes assim, borbulhando. Antes, eram borboletas, os peixes. Narram o céu como origem do mundo: voz de luz. Talvez um momento de origem, aquele do aquário, provável, sim. Foi.  Estar diante, como se a sala ainda fosse existir. A água comportada e o piso seco. Algum som, sim. Ouvia-se um sim. Os peixes, ou melhor, o peixe maior acenava, como se suas escamas ainda escondessem um destino qualquer. O mapa que ainda vai ser escrito. 

A pergunta de como surge um poema, a origem, lembra? Provavelmente de um ou mais aquários, da nossa disposição diante deles, das borboletas que ainda não são peixes, de uma película antes, do que criamos aos peixes sob o silêncio de suas escamas, de uma sala que ainda não existe. De inventar lugares para habitarmos, mesmo que seja hoje.

 

 

 

 

Eduardo Jorge, publicou San Pedro e é co-editor de "Gazua, Exercício de Poesia". e-mail: posedu@hotmail.com

 

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