quatro
                                                 poemas
                                                 carlos pimenta

 

 

        abrigo de murmúrios e seus derivados


Tenho em mim abrigo só para coisas.
Coisas configuradas na qual percebo só pelo olfato auditivo.
O abrigo das coisas escatológicas.
Uma casa de disfarces eólicos.
Um lugar neutro com um leito para pensamentos em alaridos.
Espelhos para faces de murmúrios embelezados.
Mesas para excrementos de óperas.
Uma sala ampla para presença de murmúrios e seus derivados.
Em muitas vezes derivações de vontades de murmúrios.
Costumo expor através de gráfico minha vontade e a vontade das coisas que se abrigam em mim cotidianamente.
Tenho abrigo em mim para palavras em cochichos, elas gostam sempre de dormir na minha língua, para encontrar sobejos de frases em quase silêncios.
Sou coercível para as coisas abrigadas em mim, favoreço sempre a elas.

 

 

 

 

             dois choros em murmúrios


Na última coletânea de murmúrios, evidenciei dois choros em acromanias de lágrimas.
Um choro da vontade em escultura lacrimal, e um choro comum,
um choro de criança desejadora de sorvetes.
Um choro até harmônico.
A vontade esculpida em gente sempre terá um murmúrio em choro e difícil de se evidenciar.
É um murmúrio quando já atingiu sua imortalidade.
Um choro comum é um murmúrio prudente.

 

 

 

 

                perfil de um murmúrio entre a voz e o silêncio


As fibrilas de vozes continuam em ficção.
Não aparecem nem mesmo para vozes de sapateados.
Querem sempre visitar o silêncio quando o momento é de egoísmo sintético.
Egoísmos a parte, princípios murmúricos em seus sonos.
...só há percepções de roncos...
virtudes anestésicas que se propagam também para ponteiros de relógios (os que marcam os segundos).
As vozes acabam escultóricas em bocejos.

 

 

 

 

                o último murmúrio do segredo


Há vestígios no último murmúrio do segredo,

acontece uma fecundação do silêncio e um percurso labiríntico do terceiro

olhar.

 

 

 

 

Carlos Pimenta, autor de Voz Compassiva (poesia)

 

;:;;

;;:

+ LITERATURA

  )  conto  )  Jorge Pieiro  )  José Arrabal  )   Luciano Bonfim  Nelson de Oliveira

  [  poesia  [  Carlos Pimenta  [  Daniel Glaydson  Eduardo Jorge
 

ADJACÊNCIAS

} artigos } Daniel Glaydson discorda de florianos
Jorge Pieiro discorre consistências

José Arrabal fotografa nossas farsas
Luciano Bonfim superinterpreta feitosas
Manoel R de Lima visita linhas de elida tessler

 

:;;

;;:;

.: editorial :

 Bonfim                    Glaydson                      Pimenta

.: editor de arte :

 Fonteles

.: contato :

 famigerado@famigerado.com