soltura de
                                                 versos
                                                                               angel cabeza

 

 

        auto-retrato (poéticas conhecidas)


Jamais guardei o nome de todos
os livros.
A eternidade consiste em
não ser eterno, mas em ser lembrado
subitamente.
Minha memória é um gole d’água e
todos os meus rascunhos são posteriores a mim.

Escrevo à margem, beirando as entrelinhas.
Mas não adianta me perguntar o que escuto.
Sou surdo como as pedras.
Escuto com os olhos dos cegos.

 

 

 

 

             poema de pedra


Os homens sofrem como as pedras:
cheios de musgo verde
e caras feias.

 

 

 

 

                apontamentos cotidianos do século XXI


A esperança não é
a ultima que morre,
mas a primeira
que desiste.

 

 

 

 

                alguns colecionam...


Alguns colecionam selos, borboletas e livros,
distração de fins de semana.
Eu, coleciono nuvens, variações de todas as coisas.
Mas os sonhos jamais duram um dia inteiro.
Subitamente alguma se esvai por entre as
frestas de meus dedos. E eu nunca sei a qual
pedaço de mim ela pertenceu, se a um antigo
sino misterioso ou algum resumo recém terminado.
Não tenho receio de lágrimas.
Todo dia chove um pouco de azul
em meu canteiro de estações.

A verdade está é nas pequenas
coisas e suas variações.
E eu vou te contar um segredo:
o primeiro sol da manhã não
está atrás dos montes, mas na primeira banca
de jornais, que ao acender
as suas luzes de gato ilumina
a primeira rajada de céu negro.

 

 

 

Angel Cabeza nasceu em 1980, no Rio de Janeiro. É poeta e cronista; cursou letras e fundou, no período universitário, o Boletim Literário Versos-Sub-Versos, hoje extinto. Possui um texto seu no livro Painel Brasileiro de Novos Talentos – 10 antologia, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Foi ganhador de concursos literários e trabalha em diversos projetos, entre eles alguns livros. Blog: www.angelcesar.zip.net

 

;:;;

;;:

+ LITERATURA

  ]  poesia  ]  Angel Cabeza  ]  Fabrício Carpinejar  José Aloise Bahia  Léo Mackellene  Marc-Olivier Zimmermann  ]
Solange Rebuzzi

  (  conto  (  Carlos Emílio Corrêa Lima  (
Danielle Stéphane  Miguel Carneiro  (    Nilto Maciel  Raymundo Silveira  (
Rosel Ulisses  Tania Alice Feix

 

ADJACÊNCIAS

§  memento  §
 §  Cordeiro de Andrade por Dênis Melo
 §  Luiz Gama por José Arrabal

}  artigos  }
Daniel Glaydson desavessa canonices
Léo Mackellene silencia os revolucionários
Nete Benevides desperta mulheres de Ibsen
Soares Feitosa ecologiza anjos augustianos

 

:;;

;;:;

.: editorial :

 Bonfim                    Glaydson                      Pimenta

.: contato .

 famigerado@famigerado.com