Da Chácara à Masmorra:
                        o caminho da loucura na prosa octaviana
                        samara inácio

 

 


Nubes lucida obumbravit.
( Pascal )


 

            Discorrer acerca da prosa de Octávio de Faria, escritor carioca que inicia seus escritos na década de 30 e concebe-os até o final da década de 70, é agrupar uma série de temáticas que atuam como um “corpo estranho” nessa era que apregoa a existência de uma pós-modernidade. O século XXI se distancia daquilo que o autor acreditava ser a problemática da sociedade. Aos que não conhecem Octávio de Faria e seus escritos, devemos dizer que ele era um “romancista católico”, que se dizia “fascista por instinto e raciocínio”, e cria que a sociedade se debatia numa grande crise, a “perda do Cristo” e conseqüentemente a perda da “fé católica”. Portanto, a crise que acometia a sociedade de sua época era uma crise espiritual.

            Seu mais importante trabalho é um roman-fleuve intitulado de Tragédia Burguesa (T. B.), 15 romances que convergem para a mesma temática, a trágica saga da sociedade burguesa carioca da década 30. Esses romances desvelam uma sociedade corrompida, tendo a ascensão da classe burguesa como foco de discussão. Importa que se diga, no entanto, que, apesar de tratar da ascensão da burguesia, não é propriamente sobre a “classe burguesa” que se ergue o romance cíclico octaviano. É dos filhos dessa burguesia que se trata, é o indivíduo burguês que interessa, é o seu comportamento e sua relação com o Outro e com a fé que preocupa. Assim, duas instâncias se estabelecem na prosa octaviana, estas numa relação intrínseca e conflituosa, o Homem e Deus ou o Ser e a Igreja.

            O presente texto tratará de um dos romances da obra cíclica de Octávio de Faria, Os Loucos, sexto volume da série, e das 3 Novelas da Masmorra, que é exterior à Tragédia Burguesa, mas que mantém um vinculo que se explica temporalmente e literariamente. Esse dois livros, porém, ligam-se diretamente a obras de outros autores como Dostoievski, Luigi Pirandello, E. T. A. Hoffman e Leon Bloy. Essa relação constitui aquilo que alguns chamam de influência, entendida como um fenômeno intertextual e não como um fator de dominação cultural, muito embora seja inevitável admitir a existência, ainda hoje, de uma cultura “dominada”. No entanto, aqui, o que nos interessa é tratar da presença da obra de Pirandello na construção d’Os Loucos, já que as novelas surgem a partir do romance.

Octávio de Faria pertence àqueles romancistas que receberam a alcunha de Romancistas de 30, mas se distanciou em muito dos autores nordestinos que faziam do romance um documentário urbano-social, querendo, através dele, tratar dos conflitos sócio-políticos. Dentre os regionalistas ganharam destaque José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Jorge de Lima. Contudo, a essa “corrente” regionalista somar-se-á a preocupação com os problemas da alma e o destino do homem, em que se acentua o subjetivismo e a introspecção. Desta fazem parte José Geraldo Vieira, Autran Dourado, Lúcio Cardoso e Octávio de Faria. É sob as características do romance psicológico que se constroem as obras octavianas, problematizando e questionando o destino do homem, aprofundando-se nos seus tormentos espirituais e, sobretudo, fazendo com que seus personagens se percam em monólogos longuíssimos, em que o fluxo de consciência é simplesmente a catarse de viver.

O protagonista d’Os Loucos é Paulo Torres, é membro da família Prado Campos, pertencentes à alta burguesia carioca. A descendência “nobre” de Paulo Torres é ladeada por uma herança mortal, - e não são os pecúlios da família, pois como muitos dos burgueses retratados na prosa octaviana, os Prado Campos fazem parte da burguesia falida da década de 30  - ele herda a loucura da família, é o representante deste “mal” em sua geração. Ele não escapa ao fatalismo da herança genética e percorre o caminho que não foi feito por nenhum de seus antepassados, isto é, vai da Chácara à Masmorra. A saga de loucura na família Prado Campos se iniciara com uma trisavó do personagem, Chiquinha Dantas, e tivera continuidade com o avô, Paulo Prado Campos, e um tio, Ranulfo Prado Campos. Loucura que se manifestara em ambos de maneira diversa. De sua trisavó herdara a tendência à agressão e do tio, além da semelhança fisionômica, herdara o temperamento ensimesmado, o estar sempre mergulhado em elucubrações, em conjecturas. O narrador questiona o rótulo atribuído a Paulo Torres:

“Da infância distante, a doença viera vindo lentamente. Aliás, ninguém podia dizer ao certo se se tratava de uma doença. Uma estranheza, uma diferença em relação a nós outros, mais ou menos normais que, com as nossas necessidades de simplificação e catalogação, abstraímos da cadeia mais ou menos ininterrupta que parece ligar todos os seres humanos, do fundo do manicômio ao coração do supremo burguês, das grades da casa de detenção ao mais perfeito colégio conventual, da mais absoluta diferença sexual masculina à mais total feminilidade. Uma estranheza, um quase nada original que a vida fora aos poucos abismando num sentido único, em vez de retê-lo onde estava ou de orientá-lo para o outro extremo do caminho”[1].  

Depois de apresentar suas dúvidas quanto ao rótulo impingido ao personagem, ele faz um histórico da sua “doença” na família Prado Campos:

“Em casa, dizia-se que o menino, esquisito desde o berço, tinha bem a quem sair. Herança paterna e herança materna não eram das mais tranqüilizadoras. E os estranhos carregavam nas tintas: pai velho, doente, já gasto pela vida quando o procriara; avô materno dominado por uma mania de grandeza e pela insistência numa vida de fausto que o levara, e à toda família, à mais completa falência econômica; tio-avô francamente nevropata, tendo vivido mais de quinze anos em estado de franca imbecilidade; tataravô também declaradamente alienada, morta em conseqüência de um ato insano - que mais podiam explicar as “esquisitices do rapaz? E, até, no físico, não era do conhecimento de todos que lembrava muito o tio-avô, aquele Ranulfo Prado Campos que parecia só ter vivido para deixar ao sobrinho-neto um aviso do perigo que corria enveredando por aquele caminho de ensimesmamento e fuga ao mundo”[2] 

A loucura de Paulo Torres é parte de um legado familiar, plenamente explicável por sua genealogia, mas, em seu caso particular, somar-se-á a ela a simulação, a qual comentaremos mais tarde, e é a partir dessa simulação que seu destino se comprometerá.

 Paulo não está sozinho, há outros personagens como sua tia Leonor Prado Campos, a filha desta e sua prima, Lisa Maria, motivo principal de seu enlouquecer prematuro, e o antagonista de toda a Tragédia Burguesa, Pedro Borges. Octávio de Faria atribui três tipos de loucura aos personagens Paulo Torres, Pedro Borges e Lisa Maria: a loucura do espírito, da carne e dos sentimentos. Em sua concepção de loucura, contudo, Octávio de Faria a relaciona com a “paixão”, sendo esta uma das molas propulsoras e desencadeadoras da “doença”:

“Nossos sentimentos são frágeis, vivem expostos a todas as tempestades da vida. Nem os sabemos defender, escravos que somos da exterioridade do movimento, do fato. A paixão os devora em poucas horas e não raro ensandecem dentro de nós mesmos, a ponto de se tornarem tão perigosos os bons quanto os ruins, os mais elevados como os mais baixos. Vivemos num mundo mau, “destruídos de cisnes”, como o dizia um profeta dos tempos modernos.

Nesse tempo de paixão, tudo é loucura. E não há porque se perder em distinções sutis entre a loucura do espírito e a loucura da carne, loucura da ambição de poder e loucura de sentimentos. O vento mau que sopra de repente arrasa tudo. E tudo se passa, então, como em um bailado de fúrias soltas pelo espaço. Para que classificar? Para que raciocinar tanto?”[3]. 

Mesmo que o autor recusasse a classificação, é inevitável que a façamos, porque o processo é desencadeado de maneira diferente nos três. A loucura de Paulo é um legado, mas há motivos que ultrapassam a genética, como a sedução de Lisa Maria por Pedro Borges e a descrença de todos os habitantes da Chácara das Rosas; Lisa enlouquece porque fora seduzida e abandonada, por ter desprezado o alerta dado pelo primo; e Pedro Borges herdara a loucura da carne do pai, Rodolfo Borges, que o ensinara a não temer os perigos e apenas se deliciar com a sedução. Os personagens são loucos, todos eles, a despeito disso, é Paulo Torres que, apesar da loucura e da simulação, conserva ainda um pouco de razão, porquanto é dele que parte o aviso, é ele que atenta e grita para o perigo que rodeia a propriedade dos Prado Campos. Paulo é aquele que, como dizia, Van Gogh, “perdeu tudo, menos a razão”, pois no auge de seu estado anímico continua tentando evitar o inevitável, a sedução de Lisa Maria, que culminaria com dois fatos mortais para a família, o suicídio de Lisa Maria e o assassinato de Paulo Torres por Pedro Borges.

Far-se-á importante, contudo, que se diga que a insanidade patente de Paulo se acentua com a introdução de Pedro Borges, feita pelo próprio Paulo, na Chácara das Rosas, porque o antagonista conhece Lisa Maria e passa a cortejá-la, mas a querela existente entre Pedro e Paulo já se dera na escola. Este episódio está contido no segundo romance da série, Os Caminhos da Vida, é neste que aparece primeiramente a expressão o “Cavaleiro da Virgem”, quando da reação de Paulo aos insultos de Pedro Borges à Virgem Maria, pois o adolescente Prado Campos fizera a relação entre a Virgem Maria e Lisa Maria:

“De estórias suspeitas sobre padres, passara-se para o ridículo de determinadas superstições, e intencionalmente se confundira este ridículo com  de certas crenças. Pedro Borges fizera questão de dar um exemplo: a virgindade de Nossa Senhora. Dissera mesmo com ênfase no tom:
- Esse, mais do que todos os outros. Haverá mesmo, pergunto a vocês, coisa mais ridícula, mais besta do que acreditar nisso?
Imediatamente Bráulio aprovara, completando a idéia:
-...Em pleno século XX...”
...Pedro Borges sentiu logo o ambiente predileto de suas habituais bravatas. Ninguém tinha coragem de avançar, mas se arriscasse, todos ririam, todos entrariam com ele. E muitos teriam coragem de dar um passinho adiante, experimentando uma frasezinha mais ousada...

- O pobre do S. José é que sofre as conseqüências... – continuou Pedro Borges. E o gracejo o levou a pronunciar em seguida palavras que mesmo os mais ousados só acompanharam de longe, com risos fracos e olhares incertos”.
[4] 

A essa zombaria de Pedro Borges imprime-se a revolta de Paulo Torres:

“Foi nesse instante que, do canto do canto oposto, de punhos cerrados, os olhos congestionados, com uma expressão de autêntico desvairado, alguém se levantou para responder a Pedro Borges. (Atingira ele, então, nos seus gracejos o limite máximo da inconveniência... )
Era Paulo. Olharam-no todos, surpresos, sem perceber ainda as razões do verdadeiro pulo, dado do banco onde estava sentado. Paulo? Que tinha ele? O que queria? O silencioso, o sempre alheio a tudo, o misteriosos Paulo?...Que tinha a ver com aquilo? Jamais demonstrara ser católico ou ter qualquer sentimento religioso. E, mesmo sendo em sinal de protesto por que não o fizera logo de início?
No entanto, ninguém teve tempo de dar solução às questões propostas. Aproximando-se de Pedro Borges, agarrara-o pelas abas do casaco e fora logo diretamente às últimas:
- Porque você não cala essa boca imunda, seu...

E aos ouvidos atentos de todos, o insulto se fizera ouvir. Todos o esperavam desde que começara a falar, mas, mesmo assim, o murmúrio foi grande na sala. A voz era firme, ainda que traísse todo o seu esforço, e ninguém duvidava de que aquilo não ia ficar apenas em simples provocação”.
[5] 

Esse episódio esclarece as divergências entre Paulo Torres e Pedro Borges, no entanto, Paulo depois de sair do Liceu Paulista, onde se ambienta o confronto, tornara-se amigo de farras de Pedro Borges, daí ter este sido introduzido no convívio dos habitantes da Chácara das Rosas. É, pois, no segundo romance da série, que desponta já a loucura do protagonista do sexto romance, mas a loucura é dos habitantes, cada um com suas (des) razões.

 Embora o título do romance, Os Loucos, já esclareça a temática, é necessário fazer alusão à influência de Luigi Pirandello. Como afirmamos acima, a influência é aqui entendida como um fenômeno intertextual, porque relaciona um texto a outro, não apenas através de citações, mas, sobretudo, pelas sugestões. É quando o narrador coloca o livro Henrique IV nas mãos de Paulo Torres que percebemos a relevância da influência pirandelliana:

“Na manhã de quinta-feira, o doutor Meira foi chamado com urgência à Chácara. Juliana tivera uma “recaída” e quase não se agüentava de dores. Subiu a escada lentamente, atravessou a varanda e, ao se dirigir para a porta da sala, notou com espanto: numa das redes, Paulo cochilava, tendo um livro entre as mãos. Inclinando-se, leu-lhe o título “Henrique IV” e o nome do autor: Pirandello.
Aquele livro... Por certo já lera a famosa peça. Há muitos anos, todavia. E não tinha bem presente à memória o detalhado desenrolar dos acontecimentos. As linhas gerais haviam ficado e logo sentira as relações profundas entre aquela estória e o drama que Paulo vivia. Vítima de um acidente provocado, um homem enlouquece e acredita ser o imperador Henrique IV da Alemanha. A ficção é sustentada pelos seus, mas eis que depois de doze anos de loucura, ele recobra inesperadamente a razão e percebe que a mulher vive com o rival e a vida acabou para ele que envelheceu como Henrique IV. Uma tentativa de curá-lo, no entanto, reúne os personagens do drama e o homem, depois de ter revelado a todos  sua volta à razão, mata o rival afortunado e volta a se fechar dentro de sua loucura simulada”[6].
 

É a loucura simulada que resulta em loucura real, à maneira de Pirandello e seu Henrique IV. Ambos, Paulo e Henrique IV compreendem a loucura como uma necessidade, ela é uma arma, é punição para àqueles que lhes imprimem o sofrimento. Para Michel Foucault, loucura e simulação de loucura merecem o mesmo tratamento, porque “loucura real e demência imitada se justapõem”, ambas podendo ter a mesma origem, “uma vontade perversa”. Não obstante, loucura e simulação mereçam o mesmo tratamento, ambas têm origens diferentes em Paulo Torres, porque a loucura é legado e a simulação uma espécie de necessidade, é o binômio causa e efeito que se coloca diante do personagem, pois é a loucura gerando a simulação num movimento indistinto, no qual Paulo Torres está indefeso, à mercê de seu organismo fraco, que não resiste e cede espaço a demência, levando-o conseqüentemente à Masmorra.

Um poeta dos tempos modernos (ou seria pós-modernos?) dizia ter “conseguido seu equilíbrio cortejando a insanidade”, o mesmo não se dá com Paulo Torres, que de tanto cortejar a insanidade a alcançou, ela fora efeito desse cortejar, desse espreitar: “aqueles desequilíbrios, aquelas palavras-símbolos, aqueles acessos de quando em quando sem que se  pudesse conter, o que era aquilo, senão o caminho da loucura?”. Perde o controle aos poucos, não conseguindo mais distinguir em que momento é a simulação e em que momento é a doença que o ataca. É quando o personagem perde as rédeas da situação que a loucura se constata, porque ele perde a consciência de seu “eu”, vai perdendo aos poucos a consciência de sua existência, do seu lugar na Chácara das Rosas, na realidade que se exterioriza a este ambiente. O que Paulo Torres perde é a consciência de sua realidade pessoal, desconhecendo os limites que se impõe, estabelecendo um mundo permeado de “escuridão” e solidão em que se proclamaria o “Reino do Prata”.

Todavia, n’Os Loucos, há fatores da vida dos personagens que são preponderantes para que a insanidade se instale, o abandono de Deus e da religião. É a cegueira do mundo descrente que compõe o quadro mais cruel da ficção octaviana, porque ele fecha todas as saídas, não há uma fresta através da qual seus personagens possam respirar. A saída, se há, é única, é Deus, é o retorno à fé, é o reconhecimento da existência dessa força divina, sempre superior, artífice da humanidade. Octávio de Faria, no afã de desvelar a humanidade de seus personagens, parece nos colocar diante do Satã de Milton, quando este assegura no Paraíso Perdido que: “Reinar no Inferno preferir nos cumpre/ À vileza de ser no Céu escravos”. É provável que mesmo a loucura advenha dessa escolha, pois preterem Deus em detrimento do Mundo. Diante da segurança dessa escolha, são corroídos pelos “mecanismos do mundo”, possuidores de uma força bem maior do que supunha seus personagens.

A simulação de que se vale Paulo para tentar salvar a prima da sedução de Pedro Borges tem por objetivo amedrontar o sedutor. Porque os loucos causam medo, e sobre isso afirma Henrique IV:

“Por que sabem o que significa estar diante de um louco? Significa estar diante de alguém que abala nas bases tudo o que vocês construíram em vocês mesmo, ao seu redor, a lógica, a lógica de todas as suas construções! - Eh! O que querem? Os loucos, bem-aventurados os loucos, podem construir sem lógica Ou com uma lógica própria que flutua como uma pena”.[7]  

Esse desabafo de Henrique IV, depois de recuperar a lucidez, fora feito sob o medo dos participantes de sua corte, sob o pasmo de o saber curado e ainda assim continuar achando que aquele lampejo de lucidez era resquício da loucura que o acometera. O personagem de Octávio de Faria também cria para si uma corte, em que ele é o Monarca do Prata; Pedro Borges é o conde traidor, aquele que lhe rouba a amada e a fez condessa. E mesmo a existência de um vingador, intitulado de o “Cavaleiro da Virgem”, que remete a esse universo paralelo criado pela loucura:

“De um lado para outro, ao longo das alamedas, à sombra da vegetação do morro, o “plano” progride. A “campanha” se delineia. Todos os estudos estão feitos, tratados foram consultados: os esquemas se acham estabelecidos, os “papéis” distribuídos. Reinos imaginários, títulos de nobreza, símbolos e alegorias, nada ficou esquecido. Um príncipe aloucado evoluiria entre os vilões e traidores, em defesa de uma “condessa” ameaçada pelas intrigas e pela sedução de um “conde-Judas”. Todo um mundo de fantasia e irrealidade, bordejando o horror da realidade presente, do perigo iminente.
Tudo está preparado, minuciosamente estudado para que, a qualquer momento, o “plano” seja posto em execução. No coração da mata, em plena agonia da espera, Paulo se agita, sem sono, sem descanso. Todos o observam, apontam as transformações de seus hábitos, a visível alteração de sua saúde. Magro, insone, fumando incessantemente, sem poder esconder as freqüentes dores de cabeça, assusta a todos. Ninguém o compreende, porém. Ninguém lhe diz uma palavra que alivie seu penar. Ninguém sequer percebe nele a máquina solta, a engrenagem desencadeada...[8]  
 

Alguns termos utilizados por Paulo Torres correspondem ao mesmo eixo semântico, utilizado por Pirandello para construir a corte de Henrique IV. Neste temos a presença de um marquês, de uma marquesa, de uns cortesãos, de um barão, etc. N’Os Loucos, acompanhamos Paulo Torres transformar a Chácara em Reino e atribuir a cada um dos habitantes um título de nobreza. Ele é o monarca; Pedro Borges, o conde; Lisa Maria, a condessa; D. Leonor, a arquiduquesa; os empregados são os conselheiros secretos e até os cães, Peludo e Selva, fazem parte do exército do Reino do Prata. E é na fantasia da existência deste “reino” que Paulo sucumbe ao delírio e enlouquece. Não obstante, o reino será reinstalado na casa de saúde ou na masmorra para onde se dirigiria Paulo Torres depois dos trágicos acontecimentos que marcaram a Chácara das Rosas.

Nas 3 Novelas da Masmorra, o autor retoma a saga de Paulo Torres e a temática da loucura, concebendo, porém, um livro que se situa fora da Tragédia Burguesa. O romancista não volta, através dessas novelas, simplesmente para retomar a loucura já amplamente trabalhada n’Os Loucos, prossegue para ratificar que o exame é ilimitado e que o mistério que envolve o destino de suas criaturas é infinito, é o drama da condição humana e da subjetividade se desenrolando numa atmosfera de sondagem psicológica, obscura e de angústia.

Aquele mesmo Paulo Torres, que protagonizara o romance, ressurge nessas novelas com o nome de Pedro Paulo Perdigão, junção mais que evidente do protagonista e do antagonista, mas em que não se fundem o destino e muito menos as atitudes. Como bem expressa o título do livro, ele se compõe de três novelas, que supostamente foram enviadas de uma masmorra para serem editadas. Desta forma, Octávio de Faria aparecia apenas como o editor e o personagem, Pedro Paulo Perdigão, seria o autor. Numa pequena nota anterior ao início do livro, o “editor” esclarece:

“Essas estranhas e, por vezes, tão contraditórias páginas de diário, de datas tão esdrúxulas, que me vieram ter às mãos nem sei bem como, publico-as sob a forma de “novelas” e tal qual as recebi. Julgará o leitor se tive razão de fazê-lo.
Sinto-me à vontade, ao divulgá-las. No envelope, dentro do qual me chegaram, só havia escrito, além do meu nome e endereço, este “note bene”. “Publique, se quiser e julgar interessante. Exijo, porém, que não altere o título geral: “Memórias de Um Cão Danado”. E, de forma alguma revele o nome e o endereço da “Masmorra” onde me atiraram e de onde escrevo, iludindo a vigilância do Grande-Cão.” Nenhuma assinatura. Nenhuma outra indicação. Nem mesmo, ao fim das páginas escritas à mão, e com letra que bem merece um estudo grafológico, uma rubrica qualquer”.[9]
 

Na “note bene” acima, o autor, Octávio de Faria, utiliza um artifício para eximir-se da autoria, pois atribui a “outro” as novelas. Assim, se o autor não é Octávio de Faria, verifica-se, portanto, a existência de um pseudo-autor, isto é, Paulo Torres. As novelas seriam uma autobiografia, mas como o gênero autobiográfico exige que o autor seja uma pessoa real, temos uma pseudo-autobiografia, já que Paulo é o pseudo-autor, e essas novelas nada mais são que a continuação de seu drama pessoal, a loucura crescendo em torno de obsessões. É delas que surgem os cães que perseguiam Pedro Paulo Perdigão, que surge o “outro” ou o “duplo” Paulo Pedro Perdigão e que aparece também o problema da idolatria refletida na imagem de um “gato selvagem” encarnado na figura de um menino.

Essas novelas têm matizes memorialistas, em que se misturam o real e o irreal, sempre em tensão, em choque, criando uma fusão de imagens e ocorrências da vida do personagem. A primeira novela apresenta um pouco da infância de Pedro Paulo Perdigão, e as outras duas são um crescente de vida e de linguagem, pois à medida que o menino se torna adulto, a linguagem e os artifícios literários ganham em intensidade dramática. Enquanto o menino Pedro Paulo era atormentado pela imagem de cães, sobretudo uma imagem de cão inspirada no Cão dos Baskervilles, de Conan Doyle, com seus grandes olhos luminosos, o adulto e já casado Pedro Paulo é perseguido por seu duplo, por sua auto-imagem que preenche todas as suas falhas humanas no casamento, no trabalho, enfim, na vida. Na terceira novela, no entanto, encontramos o pseudo-autor das novelas numa casa de saúde, como Paulo Torres, perseguido pela obsessão da existência de um menino-gato, que seria a encarnação do anticristo. É esta novela que mais bem retrata o ambiente d’Os Loucos, porque nela encontramos o médico, o padre, a casa de saúde, ambos em luta contra as alucinações  e a crescente loucura do personagem.

Segundo Sigmund Freud, “as idéias obsessivas, como bem se sabe, têm aparência de não possuírem nem motivo nem significação, tal como os sonhos”[10]. A partir dessa citação de Freud podemos perceber o quão importante é a relação existente entre as 3 Novelas da Masmorra e Os Loucos, porquanto só compreendemos as idéias obsessivas se entendermos que antes de ser o pseudo-autor Pedro Paulo Perdigão, ele era Paulo Torres, aquele que fora cruelmente humilhado por Pedro Borges e desacreditado por sua família. É a perda da individualidade e da identidade de Paulo Torres que possibilita a concepção de um “outro”, Pedro Paulo Perdigão. Freud continua sua explanação acerca das idéias obsessivas utilizando a temporalidade como fator possível de explicação, pois “a solução se dá ao se levar as idéias obsessivas a uma relação temporal com as experiências do paciente, quer dizer, ao se indagar quando uma idéia obsessiva particular fez sua primeira aparição em que circunstâncias externas ela está apta a voltar a ocorrer”[11]. Essa relação temporal é relevante para o autor, Octávio de Faria, mas também o é para o personagem Paulo Torres, pseudo-autor das novelas. Contudo,  para o leitor familiarizado com as obras de Octávio de Faria, a conexão entre os dois livros é relevante para explicar principalmente a razão que situa e efetiva Paulo Torres como autor das novelas, pois como afirma Michel Foucault, o autor deve ser entendido como “aquele que dá à inquietante linguagem da ficção suas unidades, seus nós de coerência, sua inserção no real[12]. A inquietação, percebida nas novelas, só ganha coerência se antes conhecermos a história de Paulo Torres, Pedro Paulo Perdigão, apesar do discurso obsessivo que se lhe imprime na linguagem utilizada, só é aceitável como pseudo-autor se nos voltarmos para Paulo Torres e compreendermos o quanto Pedro Borges fora responsável por sua desgraçada sina.

De sua relação com os cães, afirma Pedro Paulo Perdigão: “Se em outra encarnação eu existi - e por que não? - devo ter sido cão. Desde que me entendo, sempre tive com a raça dos cães relações estranhas”. A partir desta constatação, o autor (que fique claro, quando em relação a estas novelas nos referirmos ao “autor”, aludimos ao personagem) declara: “Deveria mesmo escrever um capítulo de autobiografia com este título: dos cães e dos bêbados; e da obsessão de ambos por mim”. Essas citações retiradas do início das 3 Novelas da Masmorra, mais especificamente da primeira novela, “Memórias de um Cão Danado”, evidenciam a consciência obsessiva de seu autor, pois ele esclarece que além dos cães, sua obsessão maior, há os bêbados que também o perseguem.

 Os cães são nomeados de Peludo, Selva, Balu, Zago e Plutão. Os dois primeiros são também os cães de Paulo Torres: “Brinca com Selva, nota a ausência de Peludo - alguma infidelidade em longínqua vizinhança?”, nas novelas, porém, são os que perseguem Pedro Paulo. Todos esses cães precedem a aparição de sua maior obsessão, o Grande-Cão. Este, para o protagonista e autor, tem características humanas: “Quando o Grande-Cão se postou frente a mim, todo sorrisos e disfarces, percebi: era preciso atacá-lo logo, logo, antes que me avançasse”. Podemos, recorrendo ao romance Os Loucos, identificar essas características em Pedro Borges:

“- Sim, digno de Lisa Maria. E por que não?
- Porque se trata de um cão!
- Durante todo esse tempo, nada vi, nada ouvi que merecesse repreensão. Pelo contrário. Melhor seria impossível!
- Fingimento! Fingimento puro... puro fingimento!
- Como, meu filho? Como seria possível fingir a esse ponto? Vivemos lado a lado pelo menos duas horas por dia!
- É justamente isso! Pedro Borges é isso, esse fingimento perfeito, essa habilidade diabólica.”[13].
 

E é este Grande-Cão que é violentamente atacado por Pedro Paulo Perdigão:

“Ataquei. Violento, forte, aguçado, rasgando de alto a baixo as pálidas e ressequidas carne do Grande-Cão. Vi filetes de sangue escorrendo - sangue pobre, morno. Vi carne dilacerada - triste, fraca. Ouvi gritos de dor, gemidos, ganidos, lamentações. E não soube e não compreendi mais nada. Apenas, que me havia vingado do mundo e estava, enfim, livre. Eis porque escrevi, relatando tudo o que me sucedeu, na esperança de que, talvez, algum dia, das minhas angústias e dos meus inúteis sofrimentos, alguém dê testemunho justo, honesto, para proteger e salvar os que se vêem injustamente condenados à rigorosa inumanidade da “Masmorra”.[14]   

O ataque que o personagem/autor imprime ao Grande-cão é causado pelo desequilíbrio de seu temperamento, é a loucura ainda instalada e a vontade de vingança. Todavia, é pelo discurso criado que Paulo Torres consegue expurgar seus fantasmas, é através da escrita que ele conseguiria voltar a sua realidade, saindo da masmorra e elaborando um plano que acabaria de vez com esse Grande-Cão (Pedro Borges). Por meio desse plano, o assassinato, é ele quem sucumbe e é morto pelo Grande-Cão*.

Na segunda novela, “O Outro”, deparamo-nos novamente com a sugestão da autobiografia, em que Pedro Paulo Perdigão faz um pacto com o leitor, jurando dizer a verdade, nada mais que a verdade. Esse pacto é aquele que o teórico francês Philippe Lejeune define como “pacto referencial”, “pacto” em que o autor se compromete a dizer a verdade, estabelecendo um vínculo entre a realidade e a autobiografia. Celina Fontenele Garcia, em Poética do Memorialismo, afirma:

“O pacto referencial, no caso da autobiografia, é em geral co-extensivo ao pacto autobiográfico, difícil de  dissociar, exatamente, como o sujeito da enunciação e do enunciado na primeira pessoa. A fórmula seria não mais “eu, abaixo assinado”, mas “eu juro dizer toda a verdade, nada além da verdade”. O juramento se reveste de uma forma simples, se restringe ao possível, a verdade tal como me aparece, na medida em que posso conhecê-la, fazendo parte dessa restrição os inevitáveis esquecimentos, os erros e as deformações involuntárias, etc. e também, assinalar explicitamente, o campo ao qual esse juramento se aplica”.[15] 

O pacto referencial se aplica ao caso das 3 Novelas da Masmorra, haja vista Pedro Paulo Perdigão se comprometer com o leitor a dizer a verdade. Esse compromisso com a verdade é a expressão máxima da subjetividade enlouquecida de Pedro Paulo Perdigão, por que é na relação entre realidade ficção que se instaura a referencialidade do texto, o que caracteriza a autobiografia. O autor das novelas é um pseudo-autor, já que é um personagem criado por Octávio de Faria. É, por conseguinte, de uma pseudo-autobiografia que tratamos aqui, que explana aspectos de uma realidade exterior. É na segunda novela, contudo, que Pedro Paulo Perdigão firma seu pacto com o leitor:

“Apelo para que me creiam. Apelo que esqueçam, por alguns minutos, que estou numa casa para doentes mentais e prestem atenção, apenas, ao que vou contar, ao depoimento que pretendo prestar, meu testemunho é sincero. Falo em espírito de verdade. E falo como se estivesse sozinho, diante de Deus, no julgamento último. Acreditem, pois, no que vou dizer. Aliás, nessa altura da vida, depois do que me sucedeu, de que valeria enganar, mentir? Nem pensem que meu intuito é recuperar a liberdade. Lá fora como aqui dentro, tudo é vazio para mim. Tudo é prisão. Quero que não me julguem “louco”, somente porque minha história é um pouco mais estranha do que costumam ser as histórias dos romances e das novelas que se lêem com espírito crédulo, disposto a todas as aceitações.
Falarei com inteira simplicidade e sem usar de artifícios de ficcionista. Peço apenas que tenham confiança em mim, na minha sinceridade, no compromisso que assumo: é como se estivesse diante de Deus que eu, Pedro Paulo Perdigão, vou testemunhar...”[16]
 

Comprova-se, portanto, o comprometimento com a verdade, mas em nenhum momento o pseudo-autor confronta realidade e ficção. Mesmo quando assevera não usar de “artifícios de ficcionista”, é dado ao leitor, participante ativo das novelas, já que elas são registradas como um testemunho de vida, o poder de julgar a veracidade do texto de que se faz juiz. É dado ao leitor o poder de aquilatar o testemunho de Pedro Paulo Perdigão, como se este poder facultasse, de fato, ao autor a possibilidade de liberdade almejada por ele, porque a prisão pressupõe o desejo de liberdade.

“O Gato Selvagem ou As Meninas da Curva do S” é a terceira e última novela. Acreditamos que todo texto traz sua própria chave, pensamos que esta novela é circunstancial, pois que é nela que vemos culminar o mistério da loucura de Pedro Paulo Perdigão. A figura de um menino como um menino-gato, encarnação do mal, é peça chave da loucura, porque ele encarna o anticristo e conseqüentemente retoma a temática da crise espiritual, mote da Tragédia Burguesa, de que são egressas as  Novelas da Masmorra. No entanto, essa crise espiritual se deflagra em virtude do aparecimento da expressão “Ídolos Brancos”, em que o problema da idolatria é amplamente explorado e apontado como motivo principal da insanidade de Pedro Paulo Perdigão. É através  dos “Ídolos Brancos” que o personagem completara seu percurso, isto é, ele fora definitivamente da Chácara à Masmorra. À “masmorra”, nesta novela, é atribuído um poder aterrador, como se fosse uma espécie de cúmplice das forças do mal: 

“E são poderosas as forças da Masmorra. Contra elas - contra seu poder discreto, sua desfaçatez, seus secretos informes, sua incessante espionagem -, pode bem pouco a nossa débil ingenuidade. Imaginamos. Pouca coisa mais do que imaginar conseguimos, no decurso de nossas turbulentas e vãs manifestações. De concreto, nada logramos. Esbarramos. Esbarramos sempre. E, de nossos sonhos, por mais belos e generosos sejam, não fica, no mais das vezes, senão sombra e cinza - mais cinza ainda do que sombra”.[17] 

O homem Pedro Paulo Perdigão fora destruído, seus sonhos todos se esvaíram por meio de suas obsessões, de sua loucura. O escritor português Raul Brandão em sua obra-prima diz que “a vida é muito maior pelo sonho do que pela realidade”. Então, diante desta afirmação, o que restara a Pedro Paulo Perdigão? Se nem mesmo os sonhos ele poderia cultivar, a saída era a idolatria, a fantasia transformada em luta contra uma força imaginária que o degradara lentamente, por esta razão o personagem perguntara a Padre André:

“Mas então, padre, a quem eu adoro? Por que, afinal, todo homem adora alguma coisa?...
- Não é a Deus que você adora. É aos ídolos brancos, acima de tudo...
Detive-me eu, mas não se deteve ele que logo encadeou:” - Quando deformado, não há nada pior do que o mito da pureza. Suas vítimas são incontáveis. E foi por isso que eu lhe disse que tinha muita pena dos adoradores de ídolos brancos...” Perguntei, tímido: - “Mas quem são esses adoradores de ídolos brancos?” - “Nós todos”, respondeu-me ele. “Nós todos... Você, para não irmos mais longe...”[18]
 

Ora, “O Gato Selvagem ou As Meninas da Curva do S” reflete uma realidade que é comum a todo o homem, a idolatria. Se não é a Deus que idolatramos, escolhemos algo que se possa idolatrar, porque se somos todos “adoradores dos ídolos brancos”, essa adoração é já uma necessidade. Os Loucos e as 3 Novelas da Masmorra refletem a loucura crescente de um personagem, mostrando que o caminho da Chácara à Masmorra tornara-se bem mais curto do que ele supunha. Fora por meio da idolatria que Paulo Torres, depois Pedro Paulo Perdigão e Paulo Pedro Perdigão, conseguiram trilhar inconscientemente esse percurso.

Não é por mera coincidência que a prosa de Octávio de Faria converge para a temática da loucura, da idolatria. Se o autor acreditava realmente que a crise de sua época era uma crise espiritual, nada mais conveniente do que apontar o fulcro dessa crise, o próprio homem. É este que se perde de Deus no trajeto que escolhera. Perdendo Deus, contudo, resta-lhe à fantasia de acercar-se das vacuidades da vida, dos prazeres. Mas essa fantasia não é sonho. Essa fantasia é a loucura, porque esta representa a vida. Indigna? Talvez.

Portanto, Octávio de Faria concebe a loucura como fonte de vida para o personagem Paulo Torres, porquanto é através da loucura que ele conseguira sobreviver. Cultivando os lampejos de lucidez, apontando e reconhecendo o que os sãos não conseguem enxergar. É por meio da loucura que a vida dos personagens tem sentido. Um mundo paralelo. Uma vida paralela. Uma vida para além daquilo que se chama vida, que retoma o mundo à sua maneira e a recria da forma que lhe apraz. Paulo Torres ao se transformar em Pedro Paulo Perdigão ou Paulo Pedro Perdigão adentra no universo paralelo, no qual Pedro Borges deixa de se nomear, uma vez que ele se transformara em obsessões, em cães, em bêbados, em múltiplos, em menino-gato, em ídolos brancos. Pedro é uma paixão pelo avesso e Paulo é o avesso dessa paixão, ambos possibilidades sempre em tensão.

 


 

BIBLIOGRAFIA 

BERNARDINI, Aurora Fornoni. Henrique IV e Pirandello: roteiro para uma leitura. SP:  EDUSP, 1990.
FARIA, Octávio. Os Caminhos da Vida. In: Tragédia Burguesa: Obra Completa. Tomo II. Org. Afrânio Coutinho. RJ: Pallas; Brasília: INL, 1985.

_____________ Os Loucos
. In: Tragédia Burguesa: Obra Completa. Tomo II. Org. Afrânio Coutinho. RJ: Pallas; Brasília: INL, 1985.
_____________ 3 Novelas da Masmorra
. RJ: EDIOURO, s/d.
FOUCAULT, Michael. A Ordem do Discurso.Aula inaugural no Collége de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.. 13ª ed. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. SP: Edições Loyola, 2006.
FREUD, Sigmund. Notas sobre um Caso de Neurose Obsessiva. RJ: Imago, 1998.
GARCIA, Celina Fontenele. Poética do Memorialismo: Diálogos com Philippe Lejeune. Fortaleza: 7 Sóis, 2006.

 


 

[1] FARIA, Octávio. Os Loucos. In: Tragédia Burguesa: Obra Completa. Tomo II Org. Afrânio Coutinho. RJ: Pallas; Brasília: INL, 1985. p. 12.

[2] Op. Cit. Nota 1.  p. 12.

[3] Op. Cit. Nota 1.  p. 119.

[4] FARIA, Octávio. Os Caminhos da Vida. In: Tragédia Burguesa: Obra Completa. Tomo II Org. Afrânio Coutinho. RJ: Pallas; Brasília: INL, 1985. p. 188.

[5] Op. Cit. Nota 4. p. 188.

[6] Op. Cit. Nota 1.  p. 108.

[7] BERNARDINI, Aurora Fornoni. Henrique IV e Pirandello: roteiro para uma leitura. SP:  EDUSP, 1990. p.150.

[8] Op. Cit. Nota 1. p. 50.

[9] FARIA, Octávio. 3 Novelas da Masmorra. RJ: EDIOURO, s/d.

[10] FREUD, Sigmund. Notas sobre um Caso de Neurose Obsessiva. RJ: Imago, 1998. p. 36

[11] Op. Cit. Nota 9. p. 36

[12] FOUCAULT, Michael. A Ordem do Discurso.Aula inaugural no Collége de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970.. 13ª ed. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. SP: Edições Loyola, 2006.

[13] Op. Cit. Nota 1. p. 22/23.

[14] Op. Cit. Nota 9. p. 74.
*
O assassinato de Paulo Torres por Pedro Borges é narrado no décimo terceiro volume da série octaviana, O Cavaleiro da Virgem.

[15] GARCIA, Celina Fontenele. Poética do Memorialismo: Diálogos com Philippe Lejeune. Fortaleza: 7 Sóis, 2006.

[16] Op. Cit. Nota 9. p. 77.

[17] Op. Cit. Nota 9. p. 189.

[18] Op. Cit. Nota 9. p. 182.

 

 

 

Samara Inácio é graduada em Letras pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Atualmente, curso mestrado em Letras/Literatura Brasileira pela mesma universidade, com tese sobre a obra de Octávio de Faria. Leciona nos Cursos de Licenciatura Específica da Universidade Estadual Vale do Acaraú.

 

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