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     na Galeria
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         edição #04


          
       :
         
       
  
     Wilson Neto


               
:        


   
obras     1. "maia"
    ao           2. "enxame"
    lado          3. sem título

                 ( foto acima por
Tania Alice Feix )

:

A propósito da produção
plástica de Wilson Neto
( por Herbert Rolim )

         Uma compreensão da poética visual de Wilson Neto, para além do deleite fugaz (pelo qual podemos ser atraídos e, até mesmo, traídos) passa necessariamente pelo caráter multidimensional de sua obra, ou seja, pela inseparabilidade entre criação e contexto complexo que a engendra.
         Em outras palavras, os desenhos e as pinturas de Wilson Neto não se encerram no traço espontâneo, quase gestual, ou no colorido exuberante de suas imagens. É mais do que isso, também estão aí inter-relacionados, parafraseando o pensador Edgar Morin, os aspectos biológicos, psíquicos, sociais, afetivos e racionais que revelam e, ao mesmo tempo, velam a condição humana do artista.
         O uso da chita de ricas padronagens, por exemplo, como suporte de suas pinturas remonta a uma tradição que tem sua origem na história cearense.Em fins do século XIX, Sobral teve como base econômica a fabricação de tecidos de algodão, nela se instalando, em 1895, a Fábrica de Tecidos de Sobral.O avô de Wilson Neto, de quem herdou o nome, nas décadas de 1930-1980, foi um importante comerciante de tecidos, contribuindo para a expansão industrial do município.
         É desse universo, em Fortaleza, onde costumava passar as férias escolares, vindo de Sobral, que emergem as imagens mentais do fazer artístico (pöesis) de Wilson Neto, cuja memória resguarda os tempos de infância, diante do armazém do avô ou na companhia da avó, às voltas com as costuras ricamente coloridas, por vezes juninas. As festas, a feira, os tipos populares de Sobral, onde residiu por quase 20 anos, fazem parte do seu repertório, o que explica a escolha do artista por uma estética propositalmente kitsch, com seus retratos e paisagens de pigmentos industriais sobrepostos ás vistosas estampas.
         Nesse sentido, dentro da história da arte mais recente, a obra de Wilson Neto dialoga com as questões da Geração 80, que utilizava a pintura como meio, e não como um fim em si mesma, intermediando figuração e abstração, questões do Pop e Neo-expressionismo. Dessa época, de modo particular, mantém afinidades com a obra de Leonilson (1957-1993), com quem compartilha simbolicamente o gosto pela prática artesanal, a tessitura do desenho, as possibilidades do tecido...
         Embora pautada na geração que o antecedeu, a obra de Wilson Neto não está dissociada de seu tempo presente, pelo contrário, seu trabalho não dá margem para umas visões impositivas, baseadas em parâmetros estabelecidos, como foram as “artes de vanguarda”, da década de 1970, que queriam banir a pintura, principalmente figurativa, dos procedimentos artísticos. No mundo contemporâneo há lugar para artesania e tecnologia, matéria e virtualidade, pintura e conceito.

           :


                 
                                     vários detalhes
                                                 e variações em computação
                                                     gráfica da obra "maia"
                                                                   ilustram os textos
                                                               desta edição.

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.: editorial .

 Bonfim                         Feix                         Glaydson

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