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poemas
                                                                                caio gagliardi

 

 

 

Tudo que fica
finda

Nada permanece
que não termina

O sol que queima e arde
só depois que pinta —

na ausência
que a marca finca.

O rio que seca,
sede

O calor que chega,
rede

O que continua sempre,
míngua.

Silencia o som
e o som se
intensifica

Cessa o fogo
e há mais fogo
na cinza


Como há mais vento
na brisa

Pela falta
que a razão de tudo
se precisa.
                                       

 

 

 

 

Inábil

Como que
Encantado

A fruta
Da pele
Entre os dentes

Os olhos
Machucados
De sol

Nem que sim
      Nem que não

Morrer assim

      Pela metade
Que nem sonho.
                                 

 

 

 

 

Menino
Voava um vôo
De brinquedo

Nunca que aterrissava

Atrás da porta
O senhorzinho
Esperava

Um ar frio
Mordia
O peito

Cada qual
A cru
Muito dentro

Menino
Aprendera a rir assim
Para os outros

O gesto
No escuro
Chorava.
                        

 

 

 

 

Colchão
Dia claro
E uma cortina —
Pra adorar tua luz
Em vez do dia.

                           

 

 

 

 

Simples.
Cabelos presos
Frescor de varandas nos lábios
E ainda um jeito bom de dar bom dia.
O céu, se pudesse, acenava.
                                                     

 

 

 

 

             

Caio Gagliardi, Doutor em Teoria e História Literária pelo IEL – UNICAMP. É editor da revista de poesia Lagartixa e do site www.criticaecompanhia.com

 

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