Samba-se
                                                em Minas
     jovino machado

 

 

               a flor impossível


nem ferro nem fogo
nem valsa nem salsa

a circunstância é fada

nem corda nem veneno
nem véu nem chapéu

o imprevisto é deus

nem fado nem dado
nem cálculo nem acaso

o abandono é bruxa

nem desejo nem sorte
nem beijo nem morte

a felicidade é triste

 

 

 

 

                  antena


meu pai era gaudino
livre
foi queimado

meu avô era zumbi
guerreiro
foi castrado

meu bisavô era bardo
pessoa
foi ignorado

eu sou sambista

 

 

 

 

                prenez garde à l' amour


o meu anjo
torto e louco
manca da asa
bom de bola
ponta esquerda
mora na esquina

o meu anjo
toca banjo
numa orquestra de frevo
bom de briga
joga no bicho
faz serenata na lua

o meu anjo
beija o bar na boca
sem cadeira tem colo
intuição e sorte
bom de cama
ama egos e éguas

 

 

 

             

Jovino Machado nasceu em Formiga, Estado de Minas Gerais, foi criado em Montes Claros e reside em Belo Horizonte. Publicou, entre outros, Trint' anos Prousti' anos (Mazza Edições, 1995), Disco (Orobó Edições, 1998) e Balacobaco (Orobó Edições, 2002).

 

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+ LITERATURA

  ¡  tradução  ¡  Bashô e cummings : por Paulo de Toledo :  ¡  Ionesco : por Geraldo Lima :  ¡  Zimmermann : por Daniel Glaydson :

  ]  poesia  ]  Fabrício Marques  Geraldo Vasconcelos  Glauco Mattoso  Jovino Machado  Majela Colares  ]  Wilmar Silva
 

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