silence
                                               silêncio
  tania alice feix                                                  daniel glaydson
                                                                                                      ( tradução )

 



 

     Les habits du silence
                                                     __________________________


Aujourd´hui, hier, demain : ton projet, voté à l´unanimité par tous les personnages qui me hantent.

Cette enfant, éprise de soleil et d´absolu, qui rêve de partir, dans cette rencontre inattendue qui transforme la chrysalide en papillon : rêve nocturne qui voit le jour seconde après seconde, et ta main dans mes cheveux...

Tout fleuve incite au passage et toute rive appelle une barque.

Mes mots étaient silence, aujourd´hui le silence est habité.

Il pleut : la vie vibre, insolente incandescente, où je te retrouve bout à bout, cellule après cellule, infini puzzle où le grand organisateur n´est autre que mon envie de toi.

J´attendais que la lumière vienne dans la poésie des jours renaissants, dans un monde qui en manque, sans toi.

Paroles qui sauraient évoquer le futur et la douce pluie qui berce l´attente, entre absence et désir...

Les tournesols se tournent vers la lumière, résolument. « Poussez la porte, le soleil est derrière » : vers de terre, amoureux des étoiles.

L´art d´écrire aurait-il été inventé par un amant captif et une maîtresse agitée ?

Que suis-je, sans l´écho de ta voix ? Reflet muet d´une ombre dans le néant, ma parole, orpheline de tes mots.

Lier ma vie à la tienne, et qu´elles ne se délient pas.

Tu es en moi, comme dirait le mystique pour sceller la transcendance ultime, mon prolongement, mon aboutissement, ma meilleure traduction sur la partition de l´universel.

Tous les jours, je renais au monde, il me semble d´ailleurs qu´il n´a jamais existé, sans ta main tendue au-dessus du précipice où je voguais, funambule, en quête d´éternité, sans ton tendre sourire posé sur mes crises de foi anaphoriques.

« Si c´était à recommencer, je te rencontrerai sans te chercher » :

Ton baiser est mon baptême.

 

 

 

 

                              As vestes do silêncio
                                                                   _____________________


Hoje, ontem, amanhã: teu projeto, eleito unanimemente por todos os personagens que me habitam.

Aquela criança, encantada de sol e d'absoluto, que sonha ir-se naquele súbito encontro onde a crisálida verte-se borboleta: sonho noturno que faz ver o dia, segundo após segundo, e tua mão em meus cabelos...

Todo rio incita à passagem e toda margem invoca uma embarcação.

Minhas palavras eram silêncio. Hoje o silêncio é habitado.

Chove: a vida vibra, desaforada arrebatada, onde eu te encontro de ponta a ponta, célula por célula, infinito quebra-cabeça onde o grande jogador não é outro senão minha fome de ti.

Esperei que a luz viesse da poesia de dias renascidos, de um mundo que dela falta, sem ti.

Palavras que saberiam evocar o futuro e a chuva suave que embala a espera, entre ausência e desejo...

Os girassóis seguem o giro da luz, resolutamente. “Empurrem a porta, o sol se esconde”: minhocas, enamoradas das estrelas.

A arte de escrever seria invento de um amante cativo e uma apaixonada irrequieta?

Quem sou eu, sem o eco de tua voz? Reflexo mudo duma sombra no nada, minha palavra, órfã das tuas.

Atar minha vida à tua, e que não desatem.

Tu estás em mim, como diria o místico para selar a transcendência última, meu prolongamento, conclusão, minha melhor tradução na partitura do universal.

Todos os dias, renasço ao mundo – ele aliás parece-me ter jamais existido sem tua mão aberta sobre o precipício onde eu vagava, funâmbula, buscando eternidade – jamais existido sem teu tenro sorriso pousado sobre minhas anafóricas ausências de fé.

“Se recomeçasse, encontrar-te-ia sem te procurar.”

Teu beijo, meu batismo.

 

 

 

             

Tania Alice Feix é atriz, diretora teatral, escritora e professora-doutora de Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto. Publicou em 2005, pela Omni Editora, o livro infantil Todo mundo sabe!, com ilustrações de Christophe Esnault.

Daniel Glaydson (Picos-PI). Poeta, tradutor, funcionário público federal e graduando em Letras - Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Estadual Vale do Acaraú. Atualmente com a exposição "P.o.l.i.s Insania" de poesia e fotografia, em parceria com o fotógrafo Marcílio Guedes (Campina Grande-PB).

 

;:;;

;;:

+ LITERATURA

¡  tradução  ¡
¡  Eugène Ionesco : por Geraldo Lima :
¡  Solange Rebuzzi : por Ana Lía Torre :
¡  Tania Alice Feix : por Daniel Glaydson :

(  prosa  (
André Monteiro  Amilcar Bettega
Carlos Perktold  Geraldo Lima
Gilmar de Carvalho  Pedro Salgueiro
Ronaldo Cagiano  (  Sergio Vilas Boas

ADJACÊNCIAS

}  artigos  }
} André Monteiro antropofagiza Oswald, Chacal, etc
} Cândido Rolim pensa o grau zero dos sentidos
} João Tomaz Parreira ceifa Pessoa e Wordsworth 
} José Aloise Bahia reflete culturas, massas, imagens
} Luiz E. Alves desconfia dos críticos malvados
©  crítica  ©
© Dênis Melo atormenta-se com Alcides Pinto
© Rodrigo Marques lê o último do Bonfim
© Ronald Augusto decifra Joan Brossa

:;;

;;:;

.: editorial :

  Alice                       Bonfim                       Glaydson

.: contato .

 famigerado@famigerado.com